Atraso na fala infantil: quando observar, quando investigar e o que pode influenciar
- Dinda Tutti

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Se você já se perguntou “será que meu filho está falando pouco?”, saiba que você não está sozinha. Essa é uma das dúvidas mais comuns na maternidade — e também uma das que mais geram ansiedade.
Cada criança tem seu tempo. Mas também é verdade que existem sinais que merecem atenção e, principalmente, acolhimento e orientação profissional quando necessário.
Aqui não é sobre pânico. É sobre informação + observação + cuidado.

Primeiro: atraso de fala raramente tem uma única causa
Na maioria das vezes, é um conjunto de fatores:
desenvolvimento individual
estímulo do ambiente
questões auditivas
fatores neurológicos
histórico familiar
oportunidades de comunicação
E, muitas vezes, não existe “culpa” de ninguém. Existe apenas desenvolvimento.
Possíveis fatores ligados ao atraso de fala
Neurodesenvolvimento
TEA (autismo)
TDAH (em alguns casos pode impactar comunicação)
Apraxia de fala infantil
Atraso global do desenvolvimento
Outras questões neurológicas
👉 Importante: atraso de fala não significa automaticamente autismo.
Audição
Muito mais comum do que as pessoas imaginam.
Pode incluir:
Perda auditiva leve
Otites de repetição
Líquido no ouvido
Se a criança não escuta bem, ela recebe menos estímulo sonoro para reproduzir.
Ambiente e estímulo
Aqui entra a vida real mesmo:
Dar tudo antes da criança pedir
Muito tempo de tela
Pouca conversa direta no dia a dia
Pouco contato olho no olho
Adultos que “adivinham” tudo
E aqui vai um ponto importante:
👉 Isso não é sobre culpa. É sobre consciência e ajustes possíveis.
Questões motoras orais
Hipotonia oral
Coordenação dos músculos da fala
Freio de língua curto (em alguns casos)
Genética
Sim, isso existe.
Às vezes:
Pai falou mais tarde
Mãe falou mais tarde
Irmãos falaram mais tarde
Fatores do início da vida
Nem sempre, mas pode influenciar:
Prematuridade
Baixo peso ao nascer
Intercorrências no parto
Saúde geral
Não costuma ser causa isolada, mas pode influenciar:
Anemia importante
Deficiências nutricionais
Meu toque pessoal (de mãe para mãe)
Vou abrir meu coração aqui.
Meu primeiro filho demorou para “soltar” as palavras. Ele sempre se comunicou MUITO bem — gestos, apontar, olhar, interação…Mas frases… demoraram mais.
Alguns pediatras falaram algo que me marcou:
👉 “Por volta dos 3 anos ele pode destravar.”
E foi exatamente o que aconteceu.
Depois dos 3 anos, mudou muitoooo. Começou a falar mais, formar frases, se expressar melhor.
Mesmo assim, levamos no fonoaudiólogo. E ele faz fono até hoje para ajudar em alguns fonemas de algumas letras que ele ainda tem dificuldade.
E está tudo bem.
Fono não é fracasso.
É apoio.
É desenvolvimento.
Quando procurar ajuda profissional?
Se você sentir no coração que algo merece ser avaliado — procure.
Pode começar pelo pediatra. E muitas vezes ele pode encaminhar para:
Fonoaudiólogo
Otorrino
Exame auditivo
👉 Exame auditivo é comum.
👉 Investigar é cuidado, não é exagero.
Sinais que merecem avaliação (não diagnóstico, atenção)
Vale conversar com profissionais se:
Não balbucia perto de 1 ano
Não fala palavras perto de 1 ano e meio
Não junta palavras perto de 2 anos
Parece não entender comandos simples
Perde habilidades que já tinha
O que ajuda MUITO no dia a dia
Coisas simples fazem diferença enorme:
✔ Conversar olhando no olho
✔ Narrar o que está fazendo
✔ Esperar a criança tentar se comunicar
✔ Ler livros (esse livro é bem bacana e ajuda com muitas palavras: Livro Perigoso! de Tim Warnes) Clique aqui para ver.
✔ Brincar de faz de conta
✔ Reduzir telas
Um abraço de mãe para mãe
Se você está preocupada, respira.
Nem sempre atraso significa algo sério. Mas também não precisamos “esperar demais” com medo de investigar.
Cuidar é observar.
Cuidar é buscar informação.
Cuidar é pedir ajuda quando necessário.
Você não está exagerando por querer entender melhor seu filho.
Você está sendo mãe.
E isso já diz muita coisa.
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