Por que meu filho tem medo de bonecas ou manequins? Entenda esse medo infantil
Atualizado: há 5 dias

Seu filho entra em uma loja, vê um manequim e imediatamente quer sair de perto? Ou então evita bonecas grandes, personagens fantasiados ou brinquedos com aparência muito realista?
Apesar de parecer um medo estranho para nós, adultos, ter medo de bonecas, manequins ou outras figuras com aparência humana pode acontecer durante a infância.
Afinal, para uma criança, encontrar algo que se parece com uma pessoa, mas não fala, não pisca e permanece completamente imóvel pode ser uma experiência bem diferente.
Mas por que isso acontece? E, principalmente, como os pais podem ajudar sem aumentar ainda mais o medo?
Por que algumas crianças têm medo de bonecas e manequins?
Não existe uma única explicação. A reação pode variar de uma criança para outra e estar relacionada à fase do desenvolvimento, à imaginação, a experiências anteriores e até às características daquele objeto.
1. A imaginação infantil é muito ativa
Durante a primeira infância, a imaginação ganha cada vez mais espaço nas brincadeiras.
Uma boneca pode “comer”, um bichinho de pelúcia pode “conversar” e monstros imaginários podem parecer muito reais na hora de dormir.
Ao mesmo tempo, a criança ainda está desenvolvendo sua compreensão sobre o mundo e sobre aquilo que é real, imaginário ou apenas uma representação.
Por isso, uma boneca muito grande ou um manequim extremamente parecido com uma pessoa pode despertar dúvidas e insegurança.
2. Eles parecem pessoas... mas não se comportam como pessoas
Imagine olhar para algo com rosto, olhos, mãos e corpo humano, mas perceber que aquilo não pisca, não responde e não se movimenta.
Para algumas crianças, essa combinação pode causar estranhamento.
Existe inclusive um conceito conhecido como “vale da estranheza” (uncanny valley), usado para estudar o desconforto que algumas representações muito semelhantes a seres humanos podem provocar.
Pesquisas já observaram respostas desse tipo em crianças diante de robôs e personagens artificiais semelhantes a humanos. Porém, os resultados variam conforme a idade e o tipo de estímulo estudado. Por isso, não podemos simplesmente afirmar que todo medo de bonecas ou manequins seja causado pelo “vale da estranheza”.
Ainda assim, o conceito ajuda a entender por que determinadas figuras quase humanas podem parecer estranhas para algumas pessoas.
3. O desconhecido também pode assustar
Às vezes, a explicação pode ser mais simples: a criança ainda não sabe exatamente o que está vendo.
Um manequim visto de longe pode inicialmente parecer uma pessoa. Uma boneca grande pode ter praticamente o mesmo tamanho que ela.
Quando algo é desconhecido ou inesperado, algumas crianças preferem se afastar até entender melhor se aquilo é seguro.
4. Uma experiência anterior pode influenciar
O medo também pode surgir depois de alguma experiência desagradável.
Talvez a criança tenha levado um susto com uma boneca que fazia barulho, encontrado inesperadamente um manequim em uma loja, se assustado com um personagem fantasiado ou visto alguma cena que associou àquele objeto.
Nem sempre os pais conseguem identificar quando essa associação começou — e tudo bem.
Meu filho também tem medo de personagens fantasiados. É a mesma coisa?
Pode existir uma relação.
Personagens de parques, festas e eventos têm características humanas, mas geralmente possuem cabeças muito grandes, expressões fixas e movimentos diferentes daqueles que a criança está acostumada a observar nas pessoas.
Por isso, uma criança que brinca tranquilamente com um personagem pequeno pode se assustar bastante quando encontra uma versão gigante dele pessoalmente.
E não adianta dizer: “Mas você ama esse personagem!”.
Para ela, ver aquele personagem na televisão e encontrar uma figura enorme caminhando em sua direção são experiências completamente diferentes.
Como ajudar uma criança com medo de bonecas ou manequins?
A primeira atitude é não ridicularizar o medo.
Para um adulto, sabemos que o manequim não vai fazer absolutamente nada. Para a criança que está assustada, porém, aquele medo é verdadeiro naquele momento.
Você pode dizer:
“Eu vi que você ficou com medo. Esse é um manequim. Ele parece uma pessoa, mas é só um boneco usado para mostrar roupas.”
Explicações simples e concretas podem ajudar a criança a entender melhor aquilo que está vendo.
Não force a aproximação
Evite pegar a criança e colocá-la perto da boneca ou do manequim para “mostrar que não acontece nada”.
Também não é necessário insistir para que ela toque, abrace ou tire uma foto com aquilo que está causando medo.
Respeite a distância em que ela se sente segura.
Apresente aos poucos
Quando houver oportunidade e a criança estiver tranquila, você pode mostrar o objeto de uma distância confortável e explicar o que ele é.
No caso de um manequim, por exemplo:
“Olha, ele não é uma pessoa. A loja coloca roupas nele para a gente conseguir ver como elas ficam.”
Se ela demonstrar curiosidade, vocês podem se aproximar um pouco mais. Se não quiser, não há problema.
Cuidado com brincadeiras que aumentem o medo
Se a criança já está assustada, dizer que “a boneca vai pegar você” ou fingir que o manequim se mexeu pode parecer uma brincadeira inocente para um adulto, mas pode reforçar aquela associação negativa.
O ideal é ajudar a transformar aquele objeto em algo previsível e seguro.
Quando o medo merece mais atenção?
Medos fazem parte da infância e podem aparecer e desaparecer conforme a criança cresce.
Porém, vale conversar com o pediatra ou com um profissional de saúde infantil quando o medo for muito intenso, persistente ou começar a interferir significativamente na rotina da criança.
Por exemplo, quando ela passa a evitar muitos lugares, apresenta sofrimento intenso diante da possibilidade de encontrar aquilo que teme ou quando a família percebe que o medo está aumentando em vez de diminuir.
Mais importante do que comparar com outras crianças é observar como aquele medo está afetando o dia a dia do seu filho.
Cada criança tem seu próprio tempo
Aquilo que parece completamente inofensivo para nós pode ser assustador para uma criança pequena.
Em vez de dizer “não precisa ter medo”, podemos ajudá-la a compreender do que ela está com medo.
Com acolhimento, explicações simples e respeito ao tempo da criança, muitos desses medos tendem a ficar menores conforme ela entende melhor o mundo ao seu redor.
E por aí? Seu filho já teve medo de bonecas, manequins ou personagens fantasiados?
Conta nos comentários! A experiência de vocês pode ajudar outras mães e pais que chegaram até aqui procurando exatamente essa resposta. 💛
Fontes para saber mais: estudos publicados em PLOS ONE e Child Development sobre a percepção infantil de figuras e robôs semelhantes a humanos e o chamado “uncanny valley”.





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